Sexualidade e afetividade no Plano de Deus

 O grupo de oração Presença Real (vale para todos os demais grupos da nossa paróquia), na noite do último domingo, dia 27 de maio, me convidou para pregar sobre o tema da afetividade. Esse tema é amplo e que envolve a sexualidade. Ambos fazem parte fundamental do plano de salvação de Deus para a humanidade. Sem a sexualidade não seriamos humanos, não seriamos afetivos, ternos, amáveis e afáveis. Para entender e refletir melhor a temática levantada partimos da Sagrada Escritura, no livro do Gênesis: “Então Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra’. Deus criou o homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: ‘Frutificai, disse Ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra’” (Gn 1, 26-28).

 

Deus criou o homem e a mulher diferentes, essa diferença constitui-se na sexualidade masculina e feminina, que estão inseridas no plano de Deus. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz: “A sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana, na sua unidade de corpo e alma; relaciona-se à afetividade, capacidade de amar e procriar, à aptidão de criar vínculos de comunhão com os outros” (CIC 2332). A sexualidade é muito mais do que a relação sexual. Envolve a afetividade, isto é, as formas de expressar os próprios sentimentos e a capacidade de amar e de criar vínculos de amizade verdadeira. Por isso, a sexualidade é exercida em todo momento, em toda atitude, principalmente, quando se ama verdadeiramente os irmão e irmãs. Sexualidade é o conjunto de características físicas, psíquicas, de personalidade que compõem o homem ou a mulher e que os determinam como tal, através das quais eles se relacionam com o mundo, com os outros e consigo mesmos. Desde a voz até a maneira de pensar e encarar as diferentes situações da vida, tudo é determinado pela sexualidade. Por outro lado, não se pode confundir o termo ‘sexualidade’ com aquilo que é determinado pelo termo “genitalidade”. Isso está relacionado com o ato sexual em si, os órgãos sexuais, sua utilização e funcionamento.

 

A mulher e o homem têm formas diferentes de expressar sua afetividade e sua sexualidade. Isso está inserido no plano de Deus, que os fez diferentes para que pudessem se completar. Em Gênesis 1, 26-28 Deus diz para “frutificai e multiplicai-vos”. Essa ordem pode ser interpretada tanto do ponto de vista espiritual, emocional e sexual. Também ao chamado a produzir frutos espirituais e a amadurecer a vivência das emoções e da sexualidade.

 

Assim, pode-se viver em plenitude a sexualidade e estar de acordo com a vontade e os planos de Deus. E viver a sexualidade em plenitude não significa o exercício da genitalidade, mas o exercício equilibrado de todas as características que tornam o homem um ser masculino e a mulher um ser feminino. A vivência da sexualidade não pode ser vista como algo que é pecaminoso ou errado aos olhos de Deus. A vivência equilibrada da sexualidade depende de uma série de fatores, desde a formação afetiva na infância e adolescência até o contexto sócio-cultural no qual se está inserido.

 

O ato sexual em si é uma das formas de exercer a sexualidade. Sobre isso o Catecismo esclarece que: “A união do homem e da mulher no casamento é uma maneira de imitar na carne a generosidade e a fecundidade do Criador” (CIC 2335). A Igreja aponta o exercício da sexualidade como uma forma de se tornar semelhante ao Criador. O ato sexual é uma celebração da criação, é um momento em que Deus se alegra e se agrada! O prazer sexual foi criado por Deus e está nos planos de Deus! No ato sexual são derramadas bênçãos sobre o casal e sobre cada cônjuge.

 

Nisso, a Igreja esclarece que, para que o ato sexual integre a vivência da sexualidade dentro dos planos de Deus, ou seja, realizado dentro do casamento. De acordo com o que aponta o Catecismo: “A sexualidade na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando é integrada na relação de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e totalmente ilimitada, do homem e da mulher” (CIC 2337).

 

O sacramento do Matrimônio capacita o homem e a mulher a responderem sua vocação de constituir família, de procriar, de produzir frutos espirituais e de amadurecer espiritualmente: “Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do criador. E este amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e realizar-se na obra comum da preservação da criação” (CIC 1604).

 

Em Gênesis se lê: “O Senhor Deus disse: ‘Não é bom que o homem esteja só, vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada’” (Gn 2, 18). O exercício da sexualidade entre homens e mulheres, conforme os planos de Deus, é uma ajuda para o crescimento espiritual e afetivo. O plano de Deus para a convivência entre homens e mulheres leva à vivência da santidade e da plenitude do amor de Deus. O exercício da sexualidade deve levar o outro a se aproximar de Deus e a tornar mais equilibrados os seus relacionamentos com os irmãos e consigo mesmo. Na vida prática, quer dizer que os homens, vivendo sua masculinidade de maneira equilibrada, podem dar suporte e apoio para outros homens através da amizade sincera. Isso vale também para o relacionamento entre sexos opostos. Um rapaz que vive sua masculinidade de maneira integrada e equilibrada terá um papel importantíssimo no amadurecimento afetivo e feminino de suas amigas. Uma mulher que vive sua feminilidade de maneira equilibrada, guiada pelo Espírito Santo, será um importante instrumento nas mãos do Senhor para ajudar os irmãos e irmãs na fé a amadurecerem sua afetividade, sexualidade e espiritualidade.

 

Aqui vem a necessidade crucial para o amadurecimento da sexualidade. Muitas vezes durante a infância e adolescência, por uma série de fatores, não houve os modelos de masculinidade e feminilidade de modo correto. Alguns relacionamentos desestruturados dos pais e irmãos, ou por amizades que não ajudaram a crescer, ficou sem referências fortes do que é ser homem ou mulher no plano de Deus. Isso causa sérios desequilíbrios nessa área. Infelizmente, muitos corações jovens sofrem carregando traumas e complexos por falta de modelos de uma sexualidade equilibrada.

 

O grupo de oração pode e deve ser uma alternativa eficaz contra essa realidade. O grupo é um espaço para desenvolver-se em espírito de comunidade num relacionamento casto e equilibrado. Isso se dá pela amizade entre sexos iguais ou opostos dos jovens. O grupo não vai substituir a família, mas pode ajudar. A proposta é que o grupo seja um local fecundo para resgatar o equilíbrio do jovem como um todo. A sexualidade é uma área muito importante da vida que conta com a oração - o cultivo da presença de Deus - para haver relacionamentos sadios e equilibrados. Por isso, é importante que no grupo se incentive momentos de partilha e convivência fraterna, isto é, um tempo para o lazer, bem como para o cuidado com o social.

 

 

 

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